Não é só tristeza

Saúde

É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz

Mas acontece que eu sou triste…”

Vinicius de Moraes

Acredito que o poema que abre essa matéria, além de lindo, expressa o sentimento de grande parte das pessoas nos dias de hoje. Nos consultórios e hospitais, inúmeros são os pacientes que referem essa sensação – apesar de lutar ferreamente pela felicidade, mantêm-se tristes, a despeito de um grande esforço pessoal. Você atualmente conhece alguém sempre com a feição entristecida, desanimada, como quem perdeu a graça na vida? Alguém deprimido?

De fato, os transtornos depressivos são uma realidade alarmante: 17% da população geral já experimentou algum transtorno depressivo durante a vida. Isso equivale a 1 pessoa a cada 6. Então, respondendo a pergunta inicialmente feita – sim, você provavelmente conhece alguém deprimido.

A depressão é tanto hereditária quanto produto das situações de vida estressantes. Vários membros de uma mesma família podem ser acometidos pela depressão. Por outro lado, situações de sofrimento e abandono aumentam muito o risco para esse tipo de transtorno.

O mais importante a ser dito a respeito desse tema é que a depressão é uma doença bem descrita e com alto risco de se repetir durante a vida se não tratada. Após o primeiro episódio depressivo, o risco de um novo episódio é de 50%, após o segundo, de 70 a 80% e a partir de então, a probabilidade de recorrência aproxima-se de 100%.

Um aviso contundente para quem sofre e para quem sofre junto é: procure ajuda especializada. A aceitação do problema é o primeiro passo. O tratamento psiquiátrico conta com medicações antidepressivas que, graças aos avanços na área da psiquiatria, possuem efeitos colaterais cada vez menores e que se ajustam aos pacientes. Acredite: estamos caminhando para haver uma medicação certa para cada um. O tratamento tem mais chances de sucesso se há emprego de psicoterapia conjunta, isto é, um tratamento de escuta e fala que é fornecido tanto pelo médico psiquiatra quanto pelo psicólogo. Quebrar a barreira do preconceito e o medo pode salvar a vida de uma pessoa: a depressão comprovadamente diminui a expectativa de vida e tem como consequência mais trágica o suicídio, com taxas que variam entre 2 a 8% de mortalidade entre pessoas deprimidas.

É claro que o sucesso do tratamento depende, antes de tudo, da confiança que se tem no profissional – alguém distante, não cordial, desinteressado, inacessível, e que não considera as dúvidas e preocupações do paciente, coloca todo o tratamento por água a baixo.

Na Clínica Santa Clara e Hospital Padre Tiago, estarei pronta para ouvir e oferecer atenção contínua e personalizada, para esse e outros problemas, tão angustiantes para todos os envolvidos:

Dra. Letícia Carvalho Tiraboschi

Médica Psiquiatra Geral

CRM GO 19299/ RQE 11964

Clínica Santa Clara Hospital Padre Tiago

Rua Castro Alves 766 Rua Castro Alves 686

Jataí-GO Jataí – GO

 

Algumas orientações sobre o que fazer e o que não fazer ao cuidar de uma pessoa deprimida:

O QUE NÃO FAZER?

– Fazer cobranças por melhora

– Infantilizar a pessoa, tratando-a como se fosse criança

– Desistir de ajudar.

O QUE FAZER?

– Compreender e apoiar, permanecer ao lado – fazer coisas simples como conversas curtas e silêncio companheiro, um chá ou um suco, um programa leve na TV.

– Gotas de otimismo. Incentivar com delicadeza, respeitando a necessidade de ficar mais quieto. Uma pequena caminhada quando o desânimo for menor.

– Mudar a lente. A pessoa vê tudo com cores cinzentas por influencia da doença. Ouça com atenção e ajude a pessoa a ponderar, lembrando-a de que está tendo sentimentos e tirando conclusões precipitadas influenciadas pela depressão. Porém, nunca tente convencer com insistência nem vencer uma disputa.

– Monitorar o tratamento. O antidepressivo pode demorar a fazer efeito e deve ser tomado todos os dias: lembrar o familiar do horário da medicação e de ir ao retorno ao psiquiatra e ao psicólogo é essencial.

– Prevenir o suicídio. Prestar atenção em frases com conteúdo de suicídio, ou situações que aumentam o risco como acesso a meios letais (remédios, corda, objetos cortantes, armas), abuso de álcool, drogas e ausência de pessoas para acompanhar o doente.

Fonte: baseado em Botega, em Crise Suicida: avaliação e manejo.